PARA DIRETORES DE OPERAÇÕES, VICE-PRESIDENTES E GERENTES GERAIS
Mais capital ou uma meta menor?
Quando uma mina deixa de cumprir o plano repetidamente, a conversa com a sede costuma terminar com um pedido de mais capital ou um pedido para reduzir a meta. Antes de fazer qualquer um dos dois, verifique para onde está apontado o capital que você já tem.
UMA PERGUNTA FREQUENTE
Devemos pedir mais capital ou pedir que a meta seja reduzida?
Os dois pedidos são razoáveis no dia em que são feitos. Na nossa experiência, ambos tendem a trazer de volta a mesma diferença.
PEDIDO A
Reduzir a meta
Uma meta menor parece realismo. Na nossa experiência, ela volta a não ser cumprida em poucos meses. Os recursos acompanham o novo número para baixo, cada área é cortada até a média mais baixa e a mesma cadeia, balanceada no limite, é reconstruída um andar abaixo. As pessoas experientes, que recuperam os dias ruins, começam a procurar outras oportunidades, e a diferença volta com o próximo orçamento.
PEDIDO B
Pedir mais capital
Mais capital parece ambição. Se ele cair numa parte da cadeia que não limita a produção, a mina ganha mais capacidade instalada e as mesmas toneladas na saída da mina. Se ele de fato elevar o gargalo, o gargalo tende a se deslocar para a próxima área mais fraca, e vem o próximo pedido. Do nosso ponto de vista, algumas aprovações depois a cadeia volta a ficar balanceada, a um custo maior.
Leia (em inglês): Sua mina consegue fazer o que o plano diz?
Nossa resposta habitual é nenhum dos dois. Na nossa experiência, a maioria das operações já tem capital suficiente alocado, e ele muitas vezes está espalhado pelas áreas que o pediram, quando precisa estar apontado para a área que define a produção. Realinhado ao gargalo, o plano pode nem precisar de mais capital.
COMO A LISTA DE CAPITAL É MONTADA
Um quilômetro de largura e um centímetro de profundidade
Na nossa experiência, o orçamento anual entrega a cada área uma meta de utilização ou uma meta de horas. Cada superintendente é questionado sobre como vai cumpri-la e apresenta os projetos que vão mover o seu número. Os programas de melhoria muitas vezes exigem que todos os departamentos contribuam com ideias, e cada ideia é avaliada pelos números da própria área.
Então um projeto com grande valor local ganha atenção e financiamento, mesmo que nunca vá fazer passar mais uma tonelada pela saída da mina. Diríamos que o programa acaba com um quilômetro de largura e um centímetro de profundidade. O mesmo dinheiro renderia muito mais com um centímetro de largura e um quilômetro de profundidade, na única área que dita o ritmo de toda a mina.
Ninguém nessa cadeia está fazendo nada de errado. Cada pessoa está respondendo à pergunta que recebeu. A pergunta foi feita às partes, e a mina é paga pelo todo.
O QUE O FOCO MUDA
Quando o gargalo fica visível, cada pedido ganha um número
Eli Goldratt costuma ser citado resumindo a Teoria das Restrições em uma palavra: foco. Aplicado ao capital, foco significa submeter cada pedido a um único teste: o que isto faz com o fluxo pelo gargalo?
Quando o gargalo é conhecido e estável, e você consegue mostrar que uma hora extra ali vira toneladas vendáveis, o valor de qualquer gasto naquela parte da cadeia é aritmética simples. Multiplique as horas extras do gargalo pela taxa horária do gargalo e pela margem de contribuição por tonelada. Numa mina de alto custo fixo, a frota e a planta já foram compradas e a maior parte dos outros custos já está comprometida, então essa margem fica próxima do preço de venda menos os custos realmente variáveis. Na nossa experiência, pequenos valores de capital num gargalo estável podem se pagar em meses, não em anos.
O mesmo teste organiza o restante da lista de capital em quatro grupos, na ordem em que devem ser financiados.
1 Aumenta a produção no gargalo
Itens típicos. Trocas mais rápidas, um ponto de alimentação adicional, manter o gargalo operando durante as pausas para refeição e a troca de turno.
Como avaliar. Horas extras do gargalo × taxa horária do gargalo × margem de contribuição por tonelada.
Decisão. Financiar primeiro.
2 Protege o gargalo
Itens típicos. Sobressalentes críticos perto da frente de trabalho, uma pilha pulmão antes do gargalo, capacidade de reserva nos equipamentos que o alimentam.
Como avaliar. Horas do gargalo que deixam de ser perdidas por falta de alimentação ou bloqueio.
Decisão. Financiar em seguida. Na nossa experiência, esses costumam ser os primeiros itens cortados numa revisão de custos.
3 Rende quando o gargalo se desloca
Itens típicos. Elevar a próxima área mais fraca.
Como avaliar. Zero até que o gargalo de fato se desloque para lá.
Decisão. Colocar na sequência. Aprovar quando a evidência mostrar o deslocamento.
4 Eficiência local em outras áreas
Itens típicos. Projetos de custo e de utilização em áreas que já têm capacidade de reserva.
Como avaliar. Apenas a economia de custo. Não acrescenta toneladas.
Decisão. Avaliar como projeto de custo, e dizer isso no caso de negócio.
O trabalho crítico para a segurança e o exigido por lei mantém a sua própria prioridade e nunca é avaliado pelo valor de produção.
COLOQUE UM NÚMERO NISSO
O mesmo projeto em dois lugares
Insira os seus próprios números. Os valores iniciais são ilustrativos e não descrevem nenhuma mina em particular.
O QUE UMA ECONOMIA PODE CUSTAR
O guincho que economizou 60 mil rands
Em 2014, meu colega, o saudoso Arrie van Niekerk, já então reconhecido como o principal especialista do mundo em TOC aplicada à mineração, escreveu sobre uma reunião numa grande mina subterrânea. No fim da reunião, o gerente responsável determinou que nenhum guincho novo desceria à mina até que os antigos fossem retirados.
A lógica era o custo. Um guincho novo custava cerca de 100 mil rands e uma reforma até 40 mil, então cada guincho reaproveitado economizava até 60 mil rands. Sem um guincho reserva no nível, um guincho com falha levava de quatro a oito dias para ser retirado, trocado e montado de novo, enquanto as canaletas de raspagem entupiam e as detonações paravam. No relato de Arrie, uma única detonação representava de 150 mil a 250 mil rands de receita, e cada troca lenta custava pelo menos duas detonações, possivelmente quatro.
A economia apareceu no relatório de custos. As detonações perdidas apareceram em outro lugar, se é que apareceram. A regra de aprovação pôs preço no guincho e nunca viu as detonações que ele protegia.
Economia por guincho reaproveitado
até 60 mil rands
Receita perdida por troca lenta
de 300 mil a 1 milhão de rands
Números do relato de Arrie van Niekerk, de 2014, sobre uma mina subterrânea sul-africana.
SEQUÊNCIA
Primeiro estabilize o gargalo, depois invista
O capital no gargalo só rende enquanto o gargalo fica no lugar. Na nossa experiência, ele muitas vezes muda de semana para semana, entre a frota e a planta. Um caso de capital construído sobre o gargalo do trimestre passado vira, então, uma aposta sobre onde ele estará no próximo trimestre.
Por isso a ordem importa. O primeiro ganho vem de operar em torno de um gargalo escolhido, protegendo a sua alimentação e deixando que as áreas ao redor tenham capacidade de reserva. Na nossa experiência, esse passo exige pouco ou nenhum capital, e quando funciona a produção sobe como um degrau. Com o gargalo estável, vemos a melhoria contínua e o capital direcionado começarem a render, porque todos sabem para onde deve ir o próximo dólar.
PARA A PRÓXIMA REVISÃO DE CAPITAL
Perguntas para colocar na mesa
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Onde está o gargalo este mês, e ele estava no mesmo lugar no trimestre passado?
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Quais itens desta lista acrescentam horas ou toneladas no gargalo, e quantas?
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Quais itens o protegem de ficar sem alimentação ou bloqueado?
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Para todo o resto, o caso se sustenta apenas com a economia de custo ou a redução de risco?
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O que o último projeto aprovado fez com as toneladas na saída da mina?
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Há algum gasto pequeno no gargalo esperando um limite de aprovação que ignora a produção em risco?
TRABALHANDO COM A STRATFLOW
Uma primeira análise delimitada de um plano de capital
Nossa parte é deliberadamente pequena: normalmente 30 dias de consultoria ou menos. A equipe da operação faz o trabalho e fica com o resultado.
1
Verificar a diferença
Rodar o Diagnóstico do Melhor Dia com seis meses de produção diária. Ele compara a produção do dia a dia com o que a mina já demonstrou nos seus melhores dias.
2
Identificar o gargalo
Combinar com a equipe da operação onde ele está e quão estável ele tem sido nos últimos meses.
3
Organizar a lista
Distribuir a lista atual de capital e melhorias nos quatro grupos acima, com a conta de cada item.
4
Fechar uma lista curta
Financiar os itens que acrescentam ou protegem a produção do gargalo, com um caso de retorno para cada um e uma regra de parada para o teste.
LEITURAS RELACIONADAS
Do blog da Stratflow
Corte a meta. Corte os recursos. E se pergunte por que acontece de novo.
O que acontece com uma mina depois que a meta é reduzida e os recursos caem junto (em inglês).
O prêmio da previsibilidade 1/5: A capacidade já estava lá
O que os melhores dias de uma mina dizem sobre a capacidade que ela já tem (em inglês).
O prêmio da previsibilidade 2/5: Alavancagem
Por que uma tonelada extra numa mina de alto custo fixo vale mais do que o custo médio sugere (em inglês).
Sua mina consegue mesmo fazer o que o plano diz?
O que perguntar antes de assinar um plano de mina (em inglês).
Proprietários de capital e conselhos
Testar a capacidade que um ativo já tem antes de comprar mais.
Os números marcados como ilustrativos são apenas exemplos, não previsões para nenhuma operação.